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Governo vai tributar aviso prévio de
trabalhador demitido sem justa causa
Em meio ao aumento no número de demissões
no país, o governo decidiu que irá cobrar
contribuição previdenciária sobre os
valores pagos na forma de aviso prévio indenizado
aos trabalhadores que perderem o emprego. A medida vai aumentar
o custo de demissão para os empregadores e reduzir
a indenização paga aos trabalhadores.
Essa verba se refere aos 30 dias que são pagos pelo
empregador em caso de demissão sem justa causa, quando
o trabalhador é dispensado de cumprir o aviso prévio.
A mudança na regra passou a valer na última
terça-feira (13), quando foi publicado o decreto
presidencial 6.727.
Agora, ao receber a indenização, o trabalhador
será descontado em relação aos valores
devidos ao INSS, de 8% a 11% do salário, com um teto
de R$ 334,29. A mudança também afeta os empregadores,
que terão aumento de encargos, pois esse valor passará
a fazer parte da folha de salários, tributada entre
20%.
A Receita ainda avalia possibilidade de fazer a cobrança
retroativa do tributo, que pode atingir os benefícios
pagos nos últimos cinco anos.
Demissões
A Receita afirmou que não faria uma avaliação
política sobre o assunto e informou apenas que a
mudança faz parte dos trabalhos de fusão da
Receita Federal com a Receita Previdenciária.
De acordo com órgão, a isenção
para esse benefício estava prevista em lei desde
1991. Em 1997, outra lei acabou com essa isenção.
Dois anos depois, um decreto manteve o aviso prévio
indenizado fora da lista dos casos em que há cobrança
de INSS.
Desde então, não há cobrança,
uma "falha", segundo a Receita, que teria sido
detectada somente agora.
"Este decreto está dentro do contexto de harmonização
da legislação previdenciária e trabalhista.
Não tem nada a ver com a época atual",
disse o assessor-técnico da Receita Sandro Serpa.
A Receita Federal do Brasil (RFB), também chamada
de Super-Receita, foi criada em meados de 2007. O órgão
diz, no entanto, que a "harmonização"
da legislação ainda vem sendo desenvolvida.
Serpa afirmou, no entanto, que ira se pronunciar sobre a
questão política, já que o governo
só decidiu fazer a alteração em meio
ao aumento de demissões devido à crise econômica.
A Receita diz que não possui estimativas de arrecadação.
Mas o dinheiro que virá dessa fonte deve ajudar órgão
a minimizar a queda de arrecadação prevista
para este ano de desaceleração na economia.
O governo estima que o número de demissões
de trabalhadores com carteira assinada possa ficar entre
600 mil e 800 mil em dezembro, acima da média de
300 mil para essa época do ano. Os números
oficiais para o mês passado serão divulgados
no início da próxima semana pelo Ministério
do Trabalho.

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